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Velho

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  Lembro-me da sua caminhonete cor vinho, escrito “chevrolet” na parte de trás. Meu avô e esse carro eram meio que figuras indissociáveis, algo que marcou minha memória no final dos anos 90. Ele tinha o hábito de lavar o carro todo domingo. Costumava estacioná-lo em cima da calçada lá de casa, e passava a limpar a sua “D20”. A lembrança que ficou é a do seu hábito de dobrar as pontas da calça, de modo a deixar os seus calcanhares longos e magros expostos, no estilo cômico de “pega marreco”; enquanto dobrava os punhos de sua camisa de tecido, manga longa. Esse era o cuidado que o velho tinha para que não molhasse a roupa, afinal, depois disso ele teria outros afazeres. A estória do meu avô com esse carro me ajuda a tentar entender, ou mesmo recordar como era a sua vida naquela época. Quando eu passei a ter consciência dos fatos ao meu redor – e aqui escrevo com base em supostas lembranças de um eu de 6 ou 7 anos de idade –, o cenário em que eu via meu avô era o de decadência, uma ...

No jardim do meu coração

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  Para ti eu plantei uma flor, No jardim do meu coração, Nos dias de sol, ela resplandece em vivacidade e brilho, Sua cor avermelhada aviva o meu coração, afaga a minha alma, Nos dias nublados, ela se retrai, então, eu cuido ainda mais dela, Ponho-a num solo novo, rego-a com água nova, amo-a ainda mais, Pois no jardim do meu coração, eu plantei uma flor, Vermelha.

Breves considerações sobre "Da democracia na América", do autor Alexis Tocqueville.

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  Inicialmente, é oportuno traçar breves considerações sobre o autor Alexis Tocqueville, destacando suas origens e o contexto histórico em que ele redigiu a “Democracia na América”, como sendo uma forma de melhor compreensão daquilo que se almeja responder. Tendo sido um historiador e   analista político francês, Tocqueville era de origem nobre, oriundo de família aristocrática que foi favorecida pelo reinado dos Bourbon, e que sobrevivera às intempéries da Revolução Francesa,   tendo sua família sido exilada junto   com o rei Carlos X, na Inglaterra, logo após a Revolução de Julho de 1830, que havia posto fim às intenções conservadoras do Congresso de Viena – surgidas no pós-guerras napoleônicas; tendo Tocqueville permanecido na França. Assim, o então jovem Tocqueville, a mando do governo francês, recebeu a missão de viajar até os Estados Unidos junto com Gustave de Beaumont, para avaliar o sistema prisional da jovem nação estadunidense. Foi nesse contexto, que ...

Nota sobre o final da graduação.

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Nos idos de 2014, quando ainda cursava história, e havia alcançado um bom rendimento em termos de nota no curso, decidi recomeçar o curso de direito do zero. Parecia – e ainda hoje parece – um grande salto, ao estilo “tudo ou nada”, afinal, eu já não era mais um recém-saído do ensino médio, e, à época, já sabia que alguns colegas de escola e outros contemporâneos, já estavam prestes a se formar. De modo que, um sentimento de angústia, proveniente da escolha drástica de recomeçar do zero um curso que havia me causado um profundo mal-estar, pareceu-me, como ainda me parece ser, uma escolha audaciosa. O fato é que eu retornei ao curso de direito em 2015, na Universidade Ceuma, recomeçando do zero, sentido-me um pobre diabo, sozinho, atrasado, culpando-me por erros do passado. Exigi muito de mim, pois almejava provar, principalmente para os outros – sei que isso foi um erro – que eu era capaz de ser exitoso no curso de direito. Assim, muitos foram os percalços que passei nessa ...

Trechos do livro: Direito Penal do Inimigo - Noções e críticas

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Notas sobre O Direito penal do inimigo Prisioneiro da Prisão de Guantánamo. "Denomina-se 'Direito' o vínculo entre pessoas que são titulares de direitos e deveres, ao passo que a relação com um inimigo não se determina pelo Direito, mas pela coação,e a coação mais intensa é a do Direito Penal" (JAKOBS, 2015, p.24). “Com este instrumento, o Estado não fala com seus cidadãos, mas ameaça seus inimigos” (MELIÁ, 2015, p.95); “Com efeito, a identificação de um infrator como inimigo, por parte do ordenamento penal, por muito que possa parecer, a primeira vista, uma qualificação como ‘outro’, não é, na realidade, uma identificação como fonte de perigo, não supõe declará-lo um fenômeno natural a neutralizar, mas, ao contrário, é um reconhecimento de função normativa do agente mediante sua demonização. Que outra coisa não é Lúcifer senão um anjo caído?” (MELIÁ, 2015, p. 97) “A carga genética do punitivismo (a ideia do incremento da pena como único ins...

Ideias matam: uma divagação sobre Crime e Castigo, nacionalismo e moral.

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Ideias são aglomerados de palavras, conceitos maturados no nosso claustro psíquico, e que, não raras vezes na história humana – se é que há uma história universal, e não uma colcha de retalhos de casos singulares – possuem um caráter belicoso, tais como o nacionalismo, centrado na ideia de que há povos de um passado histórico superior a outros. Ora, a bem da verdade, o que quero dizer ao amigo(a) leitor(a), ainda que seja num tom retórico nessas linhas iniciais, é que as ideias matam. As ideias são como a pólvora próximo a um vulcão chamado mente humana. Vejamos o caso do já citado nacionalismo, que no final do séc. XIX e começo do XX fomentou duas grandes guerras mundiais, na ideia inicial do neocolonialismo, na supremacia de um determinado povo eleito, da raça ariana... o leitor(a) pode achar que estou focando minha tese apenas numa concepção politico-racial de que as ideias são perniciosas. Porém, digo mais. Ouso ir adiante. Lembre-se de um caso clássico na literatura u...

Não há nada de novo sob o sol (nihil novi sub sole).

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“Quando envelhecemos, ficamos iguais aos nossos pais; viva o suficiente e verá os rostos se repetirem com o tempo” De Neil Gaiman, no livro O oceano no fim do caminho , p. 14. Meu pai, em algum lugar de São Luís, nos idos da década de 90 do século XX. Uma foto que se coaduna com a frase do Gaiman. Pelo que tudo indica, cheguei naquela zona limítrofe, em que aquilo que li nos livros, acaba por ocorrer na realidade...