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Ideias matam: uma divagação sobre Crime e Castigo, nacionalismo e moral.

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Ideias são aglomerados de palavras, conceitos maturados no nosso claustro psíquico, e que, não raras vezes na história humana – se é que há uma história universal, e não uma colcha de retalhos de casos singulares – possuem um caráter belicoso, tais como o nacionalismo, centrado na ideia de que há povos de um passado histórico superior a outros. Ora, a bem da verdade, o que quero dizer ao amigo(a) leitor(a), ainda que seja num tom retórico nessas linhas iniciais, é que as ideias matam. As ideias são como a pólvora próximo a um vulcão chamado mente humana. Vejamos o caso do já citado nacionalismo, que no final do séc. XIX e começo do XX fomentou duas grandes guerras mundiais, na ideia inicial do neocolonialismo, na supremacia de um determinado povo eleito, da raça ariana... o leitor(a) pode achar que estou focando minha tese apenas numa concepção politico-racial de que as ideias são perniciosas. Porém, digo mais. Ouso ir adiante. Lembre-se de um caso clássico na literatura u...

Não há nada de novo sob o sol (nihil novi sub sole).

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“Quando envelhecemos, ficamos iguais aos nossos pais; viva o suficiente e verá os rostos se repetirem com o tempo” De Neil Gaiman, no livro O oceano no fim do caminho , p. 14. Meu pai, em algum lugar de São Luís, nos idos da década de 90 do século XX. Uma foto que se coaduna com a frase do Gaiman. Pelo que tudo indica, cheguei naquela zona limítrofe, em que aquilo que li nos livros, acaba por ocorrer na realidade...

Nota sobre o passado

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O passado é uma paisagem evanescente. Volátil, por depender das recordações. Sempre é uma construção do presente sobre reminiscências. Demais disso, pode ser compreendido como uma terra devastada, inóspita. Um terreno incerto e cheio de estilhaços – que podem ser entendidos como lembranças –, em que, volta e meia, ao revisitá-lo, é possível se machucar com certas lembranças tristes. Eis que surge a melancolia. Anote-se, ainda, que o passado pode ter algo de bom. Pode repousar numa ilusão, que nos deixa confortavelmente entorpecidos... Dr. Gachet. Pintura de Vincent van Gogh.

Algumas considerações sobre Franz Kafka

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Estranhamento e repulsa em Kafka A primeira impressão que se tem ao ler Kafka é a de que há algo estranho naquilo que se está lendo. Pegamos um livro seu e parece que, do começo ao fim do romance  –  ou conto – , tanto o personagem principal quanto o narrador parecem estar inseridos num mundo totalmente envolto em uma densa névoa que os impede de ver as correntes, os empecilhos, que lhe são constantemente apresentados – é assim no romance O Castelo , onde o agrimensor “K” é um forasteiro numa terra que lhe é inteiramente desconhecida e, nada obstante, ainda está a procura do contato que lhe trouxe até aquela situação e que,  este, por fim, acaba nunca achando essa pessoa, como fica subentendido no final do romance, aqui há sempre um entrave entre o agrimensor “K” e aquilo que ele busca . Em Kafka, parafraseando um aforismo seu, se existe de fato a salvação, ela não existe para nós; sentença esta que, por mais incisiva que seja – como de fato era intenção de...

Ano 3000

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Estamos no ano 3000 depois de Cristo. A civilização evoluiu cientificamente a ponto do ser humano ter alçado, na categoria da evolução biológica, o status de um aglomerado de super primatas que compartilham de uma miríade de símbolos e códigos organizacionais chamado de sociedade ultramoderna . Doenças tidas agora como primitivas, tais como a AIDS, câncer, ebola, por exemplo, foram extirpadas, dado o elevado grau de avanço da medicina. A ciência venceu a morte; hoje um ser vivente só deixa a vida por meio do crime de homicídio – as prisões foram abolidas após a constatação de que eram instituições falidas e demasiado perniciosas para o encarcerado, passando, assim, a serem substituídas por planos de supressão de memórias do delinquentes – ou quando, já farto da mesmice e da monotina da vida, comete o suicídio assistido por seus pares. O impossível, nessa etapa da história humana – seria esta a última etapa? – tornou-se simples, fácil de ser resolvido. As viagens a Marte,...

Artigo sobre o Renascimento Italiano.

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Studia humanitatis : vicissitudes e permanências no Renascimento Italiano. Thiago Silva Cruz e Cunha [1] RESUMO O ensaio a seguir discorrerá sobre as especificidades do Renascimento Italiano, não só enquanto movimento artístico, mas também como movimento cultural que trouxe, em sua essência, rupturas e permanências nas mentalidades dos intelectuais engajados, entre os séculos XIV e XVI. ABSTRACT The essay with dicuss about some especificities on the italian renaissance, not only any artistic moviment, but like any cultural moviment that in your essence, gave ruptures and permanences on the intellectuals mentalities, between the centuries XIV and XVI. INTRODUÇÃO Abordando concisamente os vários temas referentes ao Renascimento na península itálica, haverá no presente texto, uma ênfase na dualidade de valores entre, cristianismo e paganismo, no ideal de recuperar-se a arte e literatura clássica através da imitação e aperfeiçoamento dos antigos romanos...

No país da tristeza

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Xilogravura de Oswaldo Goeldi. No país da tristeza, Todo dia é domingo, Todo dia é assim: Mais do mesmo, Essa monotonia. No país da tristeza, Quem diz oi, É punido com o crime de afronta, Pois lá ninguém se fala, Só se cala. No país da tristeza, Há um feriado nacional: o dia da melancolia, Há a estátua de um poeta cabisbaixo, meio sem graça, Há de tudo um pouco, menos felicidade. Porque no país da tristeza, Ser feliz é um privilegio de poucos, de quem nutre sua felicidade da infelicidade de uns tantos outros. No país da tristeza, Tudo que não é tédio, saudade, É fugaz.