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O conto da Estrela do Oeste

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A um castelo o levarei Havia um "castelo do mar", assim era chamado pelos viajantes que o avistavam. Há muito tempo ele tinha sido construído na beira de uma falésia. Brancas eram as suas muralhas, azul escuro era o seu imenso portão de madeira. Suas torres majestosas, ao anoitecer, eram iluminadas pelo brilho febril de inúmeros archotes. Visto de longe, o Castelo na Falésia do Oeste,  era tido como o reduto de homens de bem, de cavaleiros honrados. Nesse castelo, reinava o rei Sadoc, Mestre da Casa do Cruzeiro Ocidental. Sua esposa, a bondosa rainha Helga, descendia da Casa dos Cervos do Bosque do Norte do Mundo. Um sonho Arte de John Bauer. É contado que, numa noite outonal, a rainha Helga sonhou com um grande alce andando vagarosamente por uma floresta de pinheiros. No sonho, o alce trazia uma menina de cabelos prateados e vestindo um vestido branco, montado sobre o seu lombo. A menina disse-lhe no sonho: “Do teu ventre nascerá uma luz de poder. Seu...

A Cavalaria e suas origens históricas: um breve ensaio.

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Entre o Sagrado e o Profano Imagem extraída do livro "A queda de Artur", do escritor J.R.R. Tolkien. Etimologicamente, o termo cavalaria com os seus subseqüentes sentidos – entre eles, a designação de guerreiros montados a cavalo –, tem na sua origem semântica duas tradições: a tradição latina que denominava de milites os soldados, ainda sem distinção entre cavaleiros e infantes; enquanto que a tradição românica denominará de chevaliers . Com o passar do tempo, o termo milites passará por uma transformação, assumindo, no período medieval, a conotação de um ofício militar e de ordem, claramente influenciado pela cultura monacal. No entanto, somente no fim do séc. XI, o termo milites irá assumir um pleno significado. Sendo assim, nota-se que o termo não mais estará agregado aos soldados que combatem à pé (infantaria ou pedites ), revelando a  crescente supremacia e valorização da cavalaria enquanto força militar entre os séculos XI e XIV. No livro A Socied...

Dostoiévski e o "ser original".

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“A falta de originalidade existe em toda parte, em todo o mundo, desde que o mundo é mundo sempre foi considerada a primeira qualidade e a melhor recomendação do homem de ação, de ação e prático, e pelo menos noventa e nove de cada cem pessoas (ao menos mesmo) sempre sustentavam essas ideias e só uma em cada cem via sempre e continua a ver a coisa de modo diferente. Os inventores e os gênios, no início da sua trajetória (e muito amiúde também no final), não eram vistos quase sempre pela sociedade senão como imbecis.” Fiódor Dostoiévski, O Idiota. “De fato, não existe nada mais deplorável do que, por exemplo, se rico, de boa família, de boa aparência, de instrução regular, não tolo, até bom, e ao mesmo tempo não ter nenhum talento, nenhuma peculiaridade, inclusive nenhuma esquisitice, nenhuma ideia própria, ser terminantemente ‘como todo mundo’ (...) No mundo existe uma infinidade extraordinária de pessoas assim e até bem mais do que parece; como todas as pessoas, elas...

A abolição do Homem (ou, Humano, demasiado humano)

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“O indivíduo é a única realidade. Quanto mais nos afastamos dele para nos aproximarmos de ideias abstratas sobre o homo sapiens , mais probabilidades temos de erro.” Carl Gustav Jung, O homem e seus símbolos. “ 179 . Pensamentos – Pensamentos são as sombras dos nossos sentimentos – sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples do que estes.” Friedrich Nietzsche , A Gaia Ciência. “Toda ciência, tomada isoladamente, não significa senão um fragmento do universal movimento rumo ao conhecimento.” Marc Bloch, Apologia da  História. “Porque nós usamos tantos números para tudo, temos a tendência de pensar todos os processos como se fossem necessariamente como a série numérica, em que cada passo, por toda a eternidade, é do mesmo tipo que o passo anterior.” C.S. Lewis, A Abolição do homem. Nossos pensamentos irradiam um brilho cósmico. São como estrelas, corpos celestes, há muito tempo inexistentes, e o que pensamos ver como sendo uma estrela brilhando em sua ...

Poesia

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“Um navio saiu à procura de uma tempestade. Naufragou, Entre águas revoltas.”   Thiago Cunha. “Uma gaiola saiu à procura de um pássaro.” Franz Kafka

Um conto (A vida tem dessas).

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O Tuco Lucas Albuquerque, ou melhor dizendo, “Garrincha”, como era chamado pelos amigos nas peladas de fim de semana, ia andando até o carro no estacionamento do escritório de advocacia, onde trabalhava. Sexta-feira, Lucas tinha acabado de passar o ponto, quando escutou um bip de mensagem no celular. Estava escrito no whatsapp: O Tuco morreu hoje à tardinha. Avisa a galera mais distante, cara; até o velório, tchau . A mensagem era do Diogo, amigo da época da escola e vizinho do Lucas desde a infância. Então, Lucas abriu o carro e entrou, pensou um pouco, lembrou do imenso engarrafamento que teria que enfrentar do Bairro do Renascença até o cemitério onde estava ocorrendo  o velório, no outro lado da cidade, e disse: “Vou ligar pra esse pateta”. Ligou para o Diogo. - Fala, cara... – Diogo não falava nada, parecia estar emocionado. - Esse bebum do Tuco. Morreu de cirrose, né? – falou Lucas, também emocionado. - Não, cara, a mulher dele me falou que ele morreu no banheir...

A Saga de Guilherme, o Príncipe Negro. Parte XVI - Fim

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  Factum abiit, monumenta manent ( O fato feito passa, os monumentos permanecem) Quando Amadeu, o bobo da corte do Reino de Árvore e Folha terminou de contar a narrativa fantástica de Guilherme, o Príncipe Negro, o jovem e inquieto Miguel II, foi logo indagando-o: - Mas o que aconteceu com Frederico? Ele não tinha herdado os saberes mágicos do pai? Como pode um rei tão poderoso, como foi Guilherme, ter perdido essa batalha? - Ha! Meu nobre senhor, isso é algo que eu ainda gostaria de lhe contar, com todo o prazer. O fato é que o Príncipe Negro não morreu naquela batalha no Vale dos Espinhos. Não como nós estamos fartos de saber que os comuns tombam em combate... O seu corpo virou uma fogueira viva ao ser trespassado pela lâmina do Conde Gusmão. Diz o relato dos combatentes que estavam na hora da morte do Soberano dos Bruxos, que ao tombar em luta, seu corpo foi consumido em chamas mágicas, e depois virou um negro pó, portanto, ele nunca foi derrotado, apenas abando...